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Imprensa / Notícias do Setor / Defesa da Indústria

14/12/2017



NA CONTRAMÃO DA LIVRE NEGOCIAÇÃO



Por Cátilo Cândido, Diretor de Assuntos Institucionais da Abrasce


O público em geral tem a tendência de enxergar o varejo
como uma coisa só, indistinta. Essa visão, porém, é equivocada. O segmento é
composto por uma série de negócios distintos, como lojas de rua, feiras livres,
galerias comerciais, comércio eletrônico e shopping centers, entre outros. Os
modelos de gestão, de estrutura jurídica, padrões contratuais e econômicos são
muito diferentes entre cada um desses tipos de formato de varejo.

A confusão que deriva dessa tendência é um dos motivos
pelos quais alguns parlamentares tentam alterar leis que regulam o setor ou,
mesmo, criar outras mais. O problema é que colocar todos os subsegmentos do
varejo numa mesma caixa, sem distinção, é ignorar suas particularidades e
necessidades. Fatores determinantes para o sucesso de cada um deles.

O caso dos Shopping Centers é emblemático. O modelo de
negócio desses empreendimentos é extremamente complexo, com características
próprias. É um segmento que tem como diferenciais o espírito da livre
iniciativa e a liberdade contratual entre os proprietários dos estabelecimentos
e os lojistas locatários. O sucesso desse modelo é fruto direto dessas
características, distintas de outros tipos de formato no varejo.

O setor de shopping centers representa 2,6% do PIB, com
565 empreendimentos que somam um total de R$ 160 bilhões em vendas. Esses
empreendimentos estão presentes em todos os 26 estados e no Distrito Federal,
espalhados por 211 municípios, reunindo mais de 100 mil lojistas parceiros. A
cadeia de valor gera mais de 3 milhões de empregos e R$ 30 bilhões em impostos.

O crescimento do segmento de shoppings tem sido contínuo
há mais de 50 anos. A expansão dos shoppings nesse meio século representa
desenvolvimento e sucesso para todos os envolvidos, desde empreendedores,
lojistas e fornecedores até municípios, comunidades e, especialmente,
consumidores.

Os shoppings trazem tranquilidade e confiança para
investidores e lojistas interessados no modelo. Eles criam um círculo virtuoso
de negócios que alavanca benefícios que, em outros formatos de varejo, não
estão disponíveis ou são tão acessíveis.

O segmento de shoppings é baseado em contratos
estabelecidos e acordados entre empresários. Trata-se de empreendedores cada
dia mais bem preparados e articulados, como grandes redes lojistas, marcas internacionais,
franquias, bancos, telefônicas, redes de cinema, entre outros.

Mais de 60% dos lojistas hoje instalados em shopping
centers são âncoras, megalojas, grandes marcas internacionais, serviços de
lazer e entretenimento (cinema sobretudo), serviços bancários, telefônicos e
serviços públicos. A maioria dos 40% restantes é formada por marcas
internacionais, redes pertencentes a fundos de investimento e franquias. Assim
como em todo o mundo, o lojista individual, com apenas uma unidade, é minoria nos
shoppings brasileiros.

As características do modelo de shoppings e o perfil dos
parceiros dos empreendimentos são fatores fundamentais a serem analisados toda
a vez que se discute o setor. Assim, é necessário muito cuidado quando se busca
criar mais regras para um setor exclusivamente privado e comprovadamente
bem-sucedido, especialmente se a motivação vem de interesses unilaterais.

É importante ampliar o debate e o conhecimento sobre o
tema e a área. Essa discussão, porém, só resulta em progresso quando envolve
todos os interessados e quando é pautada por estudos que sustentem os
argumentos de todos os lados.

O diálogo e a parceria são componentes chave do setor.
Ele não teria sobrevivido a tantas crises, a tantos percalços, e crescido
tanto, inclusive muito acima do varejo em geral, não fosse pelo diálogo e
entendimento. Disputas comerciais, diferentes pontos de vista sempre vão
ocorrer, e isso é saudável. O que não é produtivo é que discussões estruturais
por conveniências ou dificuldades conjunturais prejudiquem um setor tão
dinâmico.

Alterar a livre iniciativa e engessar contratos vai na contramão do que se busca para o País: a modernização, a simplificação e o incentivo ao empreendedorismo.

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